ÔĽŅ SINDASUL - Sindicato dos Administradores de Mato Grosso do Sul

Pensando a √Čtica Empresarial
25/06/201208:59:00
 

Numa aula inaugural sobre √Čtica, com executivos de empresa, mal iniciava a exposi√ß√£o surge um questionamento radical: - ‚Äú √©tica d√° lucro?, caso contr√°rio, estaremos perdendo tempo falando sobre o tema em um MBA empresarial‚ÄĚ!

 

Essa descren√ßa sucedeu-se em interven√ß√Ķes an√°logas em v√°rias ocasi√Ķes, sintetizando uma conclus√£o equ√≠voca e distorcida do esp√≠rito corporativo, traduzindo esp√©cie de vazio existencial, como se as organiza√ß√Ķes fossem um mero e cruel instrumento de fabricar dinheiro. A diretriz seria: fazer dinheiro, depois fazer mais dinheiro, muito dinheiro, pois com ele tudo se justifica.

 

Da√≠ o paradoxo, que a pr√°tica demonstra ser de dif√≠cil compreens√£o face aos sucessivos fracassos: - a gan√Ęncia matando a galinha dos ovos de ouro.

 

A grande questão, pouco questionada, é a credibilidade. Você sente-se seguro em negociar com quem visa somente o ganho pessoal?

 

Quem foca o bem egoístico ignora a realidade que a empresa é mera abstração suicida sem o cliente. E que não há vida social sem um mínimo de consciência ética.

 

√Čtica Empresarial √© raz√£o de ser da Empresa

 

Ao dar inicio a um empreendimento, antes de pensar-se estritamente no negócio, pensa-se na oportunidade: - quem é o cliente e que produtos satisfazem suas necessidades. Sem pesquisar as potencialidades do empreendimento não se monta estratégias confiáveis de resultados.

 

A considera√ß√£o do neg√≥cio, sem a vis√£o humanista da empresa, desqualifica-o e o torna  aventura oportunista, em que ganhar o dinheiro f√°cil √© a fantasia que antecipa o insucesso total, logo adiante.

 

A empresa √© um variado conjunto de rela√ß√Ķes, todas envolvendo din√Ęmicas interpessoais: clientes, acionistas, empregados, parceiros, concorrentes, fornecedores, sociedade.

 

Onde pessoas interagem h√° limites a serem respeitados, sem os quais a rela√ß√£o √© conflituosa e destrutiva. A ‚Äúlei do c√£o‚ÄĚ ou da ‚Äúselva‚ÄĚ significa construir sobre areias movedi√ßas, aproveitando a met√°fora b√≠blica que recomenda que a casa seja constru√≠da sobre a rocha. Esse ch√£o s√≥lido chama-se √Čtica da Vida.

 

Qual o Sentido √Čtico da Empresa?

 

Em primeiro lugar, a empresa tem uma miss√£o definida.

 

As responsabilidades empresariais decorrentes resumem-se em construir um empreendimento que importa na felicidade dos empreendedores, que só se consubstanciarão com a felicidade dos clientes, empregados e demais parceiros.

 

S√≥ nessa dimens√£o de valor, a felicidade conquista a motiva√ß√£o maior do bem comum, que se traduz numa sociedade melhor, em que todos ganham. Isso n√£o s√£o quimeras, nem utopias. √Č o que dever√° estar introjetado no esp√≠rito do empreendedor, independente dos ajustamentos necess√°rios √† realidade crua.

 

A miss√£o da empresa √© servir ao cliente e a sociedade, assegurando sua saud√°vel continuidade, atrav√©s de padr√Ķes de lucratividade sustentada.

 

Empresa e Lucro

 

Lucro √© indicador de sa√ļde empresarial.

 

Um empreendimento incompetente e n√£o lucrativo n√£o tem sustentabilidade e n√£o realiza sua miss√£o social. Tornam-se, inclusive, fator de injusti√ßa social e de distor√ß√£o √©tica, promovendo o desemprego, a competi√ß√£o desesperada e abusiva e as tram√≥ias para subsistir a qualquer pre√ßo. √Č o que a realidade comprova, quando o empreendimento torna-se aventureiro.

 

O lucro é, todavia, meta do negócio, não objetivo de empresa, que é prestar o bom serviço ao cliente. Esse bom serviço implica a realização de negócios e plena satisfação do cliente que são remunerados através do lucro.

 

√Čtica do Lucro

 

- Para a √©tica dar lucro √© necess√°rio observar a √Čtica do Lucro.

 

O lucro deve submeter-se ao teste das quatro destina√ß√Ķes √©ticas, atendendo concreta e simultaneamente aos fatores: Empresa, Capital, Trabalho, Comunidade.

 

Empresa, no sentido de que uma parte do lucro deve estar destinada ao investimento na seguran√ßa e desenvolvimento empresarial; outra ao capital, remunerando aos investidores, que correm o risco dos neg√≥cios; outra ao trabalho, recompensando aqueles que efetivamente contribuem com seus esfor√ßos para que o lucro aconte√ßa e, fechando o ciclo, a comunidade, correspondendo √† responsabilidade social da empresa na melhoria das condi√ß√Ķes s√≥cio-ambientais. N√£o entendido dentro dessas quatro dimens√Ķes, o lucro tende a ser explorat√≥rio e anti√©tico, pois n√£o atende ao princ√≠pio do bem comum.

 

Sintetizando: - ningu√©m, em s√£ consci√™ncia, quer realizar neg√≥cios com pessoas e organiza√ß√Ķes n√£o-√©ticas. Hoje, cada vez mais, o cliente exige qualidade do produto e excel√™ncia nos servi√ßos. √Č na confian√ßa m√ļtua que se constr√≥i a rela√ß√£o duradoura. Nenhum empreendimento resiste √† decep√ß√£o continuada. O conceito p√ļblico √© que fortalece os neg√≥cios e abre as linhas de cr√©dito ao futuro.

 

2ª ABORDAGEM

 

Em s√≠ntese, qual o entendimento sobre √Čtica Corporativa?

 

- √Čtica Corporativa √© a maneira de ser empresa, n√£o como um mero  instrumento de neg√≥cios, mas a organiza√ß√£o que, atrav√©s de a√ß√Ķes negociais, realiza o empreendimento reconhecido como socialmente justo e necess√°rio. A corpora√ß√£o empresarial √©tica n√£o √© um mito, nem recurso publicit√°rio, mas √© o que a justifica e garante sua perenidade. Mesmo o mercado est√° a toda hora dizendo isso ‚Äď quem n√£o cuida concretamente de sua imagem institucional, vai desaparecer; √© uma quest√£o de tempo.

 

Como se realiza a √Čtica Corporativa?

 

- Tudo come√ßa pela conscientiza√ß√£o corporativa ‚Äď √© fundamental que haja o que denominamos de verdade comum, a compreens√£o coletiva dos valores e princ√≠pios que geram comprometimento com a miss√£o empresarial. Esse √© um trabalho permanente de educa√ß√£o corporativa. O instrumento b√°sico √© a constitui√ß√£o de um Comit√™ Estrat√©gico ‚Äď um espa√ßo pr√≥prio ao exerc√≠cio do pensamento estrat√©gico, pois nas organiza√ß√Ķes a competi√ß√£o obsessiva inibe o pensar, condicionando √† a√ß√Ķes reativas ‚Äď o agir/ pensar ao inv√©s do pensar/ agir. Outro aspecto relevante s√£o Programa√ß√Ķes Educacionais focadas na compet√™ncia corporativa ‚Äď denominamos assim o desenvolvimento sistem√°tico do perfil profissional da empresa, as qualidades e qualifica√ß√Ķes que determinam um desempenho eficaz.

 

A corpora√ß√£o √©tica tem compromisso com a compet√™ncia, pois a incompet√™ncia √© a raiz de todos os males, a√≠ incluindo at√© as boas inten√ß√Ķes. A intelig√™ncia coletiva resulta de investimento cont√≠nuo em maximizar as compet√™ncias do l√≠der de l√≠deres, com foco na lideran√ßa integrada ‚Äď n√£o basta ter bons l√≠deres √© essencial que eles estejam integrados por uma vontade comum, sen√£o ocorre a maior imoralidade nas organiza√ß√Ķes: os feudos, com a fragmenta√ß√£o de poderes. Finalmente, uma corpora√ß√£o √©tica tem um planejamento corporativo estrat√©gico integrado, realizado coletivamente. N√£o √© um convencional planejamento estrat√©gico, de √≠ndole  operacional, mas um exerc√≠cio global reflexivo, onde valores, an√°lises cr√≠ticas, objetivos e metas resultem do pensar coletivo.  √Č no saber pensar estrategicamente em equipe que est√° √† ess√™ncia da compet√™ncia e da corpora√ß√£o √©tica.

 

Adm. Francisco Gomes de Matos

 CRA-RJ n¬ļ 01-00022

 Autor do livro ‚Äú√Čtica na Gest√£o Empresarial‚ÄĚ, editora Saraiva, 2012, 2¬™ edi√ß√£o