Profissão de "concurseiro" é cada vez mais comum.
05/07/201216:03:00
 

Depois de 11 anos trabalhando nos Estados Unidos com exportação, o administrador de empresas Mário César Nascimento resolveu voltar para o Brasil no ano passado e, provisoriamente, seguir outra profissão: a de concurseiro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por ano, cerca de 5% da população brasileira, 10 milhões de pessoas, buscam uma vaga no serviço público e, para muitos, como no caso de Nascimento, essa busca teve um preço.

Ele faz parte do grupo – cada vez maior – de pessoas que decidem parar a vida e se dedicar ao ingresso na carreira pública. “Decidi não trabalhar para estudar, essa foi a forma que achei de acelerar minha aprovação em um bom concurso”, conta.

Para largar tudo, o administrador fez uma poupança enquanto estava nos Estados Unidos, e acredita que o dinheiro deve bancar a família de esposa e dois filhos por cerca de dois anos – tempo suficiente, segundo ele, para se tornar fiscal de rendas. “O salário desse cargo gira em torno de R$ 10 mil por mês, por isso vale o investimento e o sacrifício. Estudo cerca de dez horas por dia”, afirma.

Mas nem sempre os que param a vida para estudar para os concursos públicos têm uma poupança, como Nascimento. Há ainda, pessoas que recebem ajuda de familiares – pais, mães, maridos e esposas – que decidem investir no sonho do concurseiro, que busca estabilidade e boa remuneração para sua vida profissional futura.

Segundo o diretor da escola Neon Concursos, em Campo Grande, Onei Fernando Savioli, essa figura nas salas de aula é cada vez mais comum, e tem ocorrido por uma mudança no cenário nacional da carreira pública, que obriga candidatos a estudarem bem mais. “Nos últimos anos cresceu muito o volume de pessoas em busca de uma vaga pública mas, essas vagas, principalmente no último ano, estão diminuindo por conta de políticas. O governo tem enxugado a máquina e contratado só o essencial – concursos que historicamente abriam duas mil vagas hoje abrem apenas mil”, explica.

Por conta disso, foi-se o tempo de esperar a abertura de um edital para então começar os estudos. Os cursos intensivos, que preparam o aluno em matérias básicas como português, matemática, informática e raciocínio lógico, estão cada vez mais procurados. Somente na escola de Savioli, a expectativa é de que as matrículas nessa modalidade de ensino cresçam 50% neste ano.

Quanto estudar?
A média de tempo de estudo para passar em um concurso depende do objetivo e empenho do candidato. Para os que almejam a área administrativa é preciso cerca de seis meses a um ano. Já os que estão de olho em vagas de auditores da Receita Federal, Analista do INSS, tribunais de Contas e Polícia Federal, a necessidade de preparo exige pelo menos de um a dois anos.

Os prazos são por conta não apenas da concorrência – maior em salários mais gordos – mas também da instituição que elabora a prova. A Fundação Carlos Chagas costuma elaborar provas mais simples e, com questões já utilizadas em outros concursos, o que favorece o aluno que estuda resolvendo provas antigas.

Já a Cespe/UNB é considerada a mais difícil, exige mais dedicação e também concentração, já que cada questão errada anula uma correta do candidato. A Esaf é considerada a intermediária.


Fonte: Correio do Estado