Salário mais leve
30/07/201218:15:00
 
A reclamação é antiga entre os empresários. E não sem motivo. Os salários no Brasil podem ser baixos em relação aos países desenvolvidos, mas o custo da mão de obra é alto para quem emprega. A cada R$ 100 que a empresa paga ao trabalhador, outros R$ 100 são gastos com Previdência, Fundo de Garantia, férias remuneradas, abono, 13º e várias outras despesas, que jogam contra a competitividade brasileira. Aos poucos, no entanto, essa realidade começa a mudar. A contribuição para a Previdência paga pela empresa, de 20% sobre o salário bruto do empregado, está sendo substituída por uma alíquota de 1% ou 2%, sobre o faturamento. Assim, aumentar o número de empregados com carteira assinada deixa de representar um peso tão grande como tem sido até aqui. 

E a base de cálculo fica mais adequada ao momento da companhia, que pagará mais imposto em épocas de vacas gordas, e fará economia em épocas de vacas magras. A nova base de cálculo já está em vigor para as empresas de tecnologia de informação e de comunicação, call center, confecções e artefatos de couro, desde janeiro deste ano. Na quarta-feira 1º, começa a valer para outros 11 setores. Ao todo, a nova dinâmica vai representar uma economia de R$ 4,9 bilhões, somente em 2012, para as empresas dos setores contempladas até o momento. A mudança não pára por aí. Outras sete categorias serão incluídas em breve. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já garantiu que vai estender o benefício, gradativamente, a todo o setor produtivo. 
 
O novo modelo tributário começou a ser discutido nas reuniões entre o Ministério da Fazenda e a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), em 2011. Mantega, porém, só bateu o martelo sobre o desenho final minutos antes do anúncio do plano Brasil Maior, em agosto do ano passado, que tinha na desoneração da folha uma das suas maiores novidades. Antônio Carlos Rego Gil, presidente da Brasscom, estima que as empresas associadas já economizaram R$ 109 milhões entre janeiro e abril deste ano. Junto com a redução dos encargos veio a formalização dos empregos no setor, que tem grande contingente terceirizado. “Além da formalização, a mudança garantiu a redução da rotatividade dos empregados, e a diminuição de 10% a 12% dos custos de mão de obra”, afirma Gil. 

Até o final do ano, a economia para as empresas de TI pode chegar a R$ 1,2 bilhão. A redução de custos também será considerável para o setor têxtil e de confecções, que passou a recolher 1% do faturamento para o caixa da Previdência. Até o final do ano as indústrias têxteis vão economizar quase R$ 1 bilhão. “Trata-se de uma medida de alta relevância”, diz Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). O mesmo vale para as empresas calçadistas, que esperam aumentar sua capacidade de competir, com a economia de R$ 632 milhões somente neste ano. Diante de uma concorrência cada vez mais acirrada com os importados, a desoneração da folha é um alento para as indústrias que competem com fabricantes chinesas, por exemplo, cujo custo de mão de obra é bem menor que o brasileiro. 
 
“Esperamos amenizar a defasagem entre o custo real do produto e o seu preço final, para concorrer em melhores condições com a China”, diz Camilo Cica, diretor comercial da Emicol, fabricante de componentes elétricos, setor que será contemplado a partir de agosto. Outra consequência positiva do novo modelo é o aumento das contratações, como está previsto acontecer no setor hoteleiro, que passa a recolher os tributos pela folha até o final do ano. “A hotelaria tem oito meses de baixa temporada no ano, e a manutenção de empregos nesse período é penosa”, diz o empresário Dilson Jatahy Junior, diretor-executivo do Katussaba Hotel, em Salvador. Com a redução de custos sobre a folha, Jatahy Junior projeta aumentar em 10% o número de funcionários.

Fonte: Istoedinheiro