ÔĽŅ SINDASUL - Sindicato dos Administradores de Mato Grosso do Sul

Empresas brasileiras investem menos no exterior
06/08/201217:16:00
 
Bras√≠lia ‚Äď As empresas brasileiras est√£o investindo menos no exterior. Segundo o Banco Central (BC), no primeiro semestre deste ano, US$ 7,058 bilh√Ķes sa√≠ram do pa√≠s para a compra de participa√ß√£o no capital de empresas no exterior, mas US$ 4,248 bilh√Ķes de vendas de ativos voltaram para o Brasil.

Com isso, o investimento brasileiro l√≠quido (sa√≠da, descontado o retorno) em aquisi√ß√£o de participa√ß√£o de capital no exterior ficou em US$ 2,81 bilh√Ķes, no primeiro semestre deste ano, redu√ß√£o de 80,7% em rela√ß√£o a igual per√≠odo do ano passado (US$ 14,597 bilh√Ķes).

No caso dos empr√©stimos intercompanhia (entre as empresas no Brasil e no exterior), houve mais vinda de recursos para o pa√≠s do que libera√ß√£o para o exterior. Nos seis meses do ano, a receita l√≠quida, dinheiro que o pa√≠s recebeu a mais do que liberou, ficou em US$ 7,822 bilh√Ķes, ante US$ 17,081 bilh√Ķes do primeiro semestre de 2011.

Os dados do BC tamb√©m mostram que as receitas de lucros e dividendos do Brasil cresceram, ao passar de US$ 690 milh√Ķes, no primeiro semestre do ano passado, para US$ 4,029 bilh√Ķes, nos seis meses deste ano.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globaliza√ß√£o Econ√īmica (Sobeet), Lu√≠s Afonso Lima, um dos motivos para esse aumento nas receitas de lucros e dividendos √© a alta do d√≥lar, que estimula o envio de recurso para o Brasil. Al√©m disso, segundo ele, as incertezas geradas pela crise econ√īmica internacional fazem com que as empresas brasileiras prefiram trazer o dinheiro de volta em vez de reinvestir no exterior.

‚ÄúO crescimento das economias desenvolvidas reduziu-se bastante. Assim, diminuiu tamb√©m a perspectiva de neg√≥cios. No Brasil, mesmo com o desaquecimento do n√≠vel da atividade, h√° o consumo din√Ęmico das fam√≠lias e essa perspectiva continua para os pr√≥ximos anos‚ÄĚ, disse Lima.

Para o diretor do escrit√≥rio da Comiss√£o Econ√īmica para a Am√©rica Latina e o Caribe (Cepal) no Brasil, Carlos Mussi, essa redu√ß√£o dos investimentos brasileiros no exterior √© um tend√™ncia de curto prazo. ‚ÄúA internacionaliza√ß√£o deve continuar e ser√° incrementada, se a economia internacional se estabilizar dentro de um cen√°rio mais previs√≠vel. √Č uma √©poca de ajuste, de cautela diante do cen√°rio internacional‚ÄĚ, disse.

Na avalia√ß√£o de Mussi, al√©m de as empresas brasileiras estarem de olho no consumo interno, tamb√©m est√£o trazendo recursos para projetos estrat√©gicos no pa√≠s, como nas √°reas de minera√ß√£o e petr√≥leo. ‚ÄúH√° necessidades maiores de investimento no pa√≠s‚ÄĚ, acrescentou.

De acordo com Lima, há uma série de vantagens para as empresa investirem no exterior, como maior proximidade dos clientes, aumento da capacidade de inovação tecnológica, acesso a mercados e a matérias-primas.

De janeiro a junho, a maior parte da sa√≠da de investimento brasileiro direto para compra de participa√ß√£o de capital foi para a Rep√ļblica Dominicana, com 18,5%, seguida pela Espanha (14,1%) e pelos Estados Unidos (10,1%). O setor que mais recebeu investimentos √© o de servi√ßos (financeiros, transportes, infraestrutura, telecomunica√ß√Ķes, entre outros), com 50,7%. A ind√ļstria ficou com 46,5% dos investimentos e a agricultura, pecu√°ria e extrativa mineral, com 2,8%.

O estoque de investimento brasileiro no exterior chegou em junho a R$ 239,842 bilh√Ķes, sendo que, desse total, R$ 225,134 bilh√Ķes correspondem a participa√ß√£o no capital e US$ 14,708 bilh√Ķes, a empr√©stimos intercompanhia.

Fonte: Exame