ÔĽŅ SINDASUL - Sindicato dos Administradores de Mato Grosso do Sul

Administrar é para Administradores
17/10/201216:14:00
 
Adm. Sebasti√£o Luiz de Mello

Presidente do Conselho Federal de Administração
De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2009, divulgado este mês pelo Ministério da Educação
(MEC), a Administra√ß√£o √© o curso mais procurado no ensino superior. Hoje, o Brasil possui mais de 1.800 Institui√ß√Ķes
de Ensino Superior (IES) que oferecem o curso de Administração. São mais de 780 mil alunos matriculados e cerca de
108 mil formandos por ano.
Mesmo com tantos Administradores, assim entendido os bacharéis em Administração registrados no Conselho Regional
respectivo, √© incompreens√≠vel que parte consider√°vel de nossas empresas, al√©m do servi√ßo p√ļblico, esse mais
do que a iniciativa privada, ainda insistem em confiar a gestão profissional de seus negócios a pessoas sem formação
acad√™mica adequada e habilita√ß√£o legal. A profiss√£o de Administrador, de empresas ou do setor p√ļblico, encontra-
-se regulamentada desde o ano de 1965 pela Lei 4.769, de 9 de setembro daquele ano, e precisa ser respeitada e
valorizada pela sociedade principalmente em raz√£o de sua import√Ęncia para a boa sa√ļde das empresas e para que a
Administra√ß√£o P√ļblica possa desenvolver suas pol√≠ticas com maior efic√°cia e efici√™ncia.
√Č conhecido o desempenho mais do que p√≠fio dos servi√ßos prestados pelo poder p√ļblico em todos os segmentos,
tais como servi√ßos de sa√ļde, educacional, seguran√ßa p√ļblica, prisional, de esportes etc. Nunca nos √ļltimos tempos
se arrecadou tanto, todavia sem a contrapartida desejada. Embora tenhamos experimentado alguns avanços ainda
continuamos sendo ineficientes no atendimento das popula√ß√Ķes no que se refere aos servi√ßos essenciais e de responsabilidade
do estado, em que pese a enorme massa de recursos arrecadados face a uma carga tribut√°ria considerada
uma das mais altas do mundo.
Esse descompasso entre arrecadação excessiva e qualidade dos serviços atribuímos a uma gestão não profissional,
tocada e sob a responsabilidade de pessoas despreparadas do ponto de vista do conhecimento técnico-científico. As
pol√≠ticas p√ļblicas existem e muitas s√£o adequadas, o problema √© de gest√£o. Tornou-se lugar comum o preenchimento
por pessoa inabilitada de cargos p√ļblicos cujas atribui√ß√Ķes possuem natureza cient√≠fica reconhecidamente de Administra√ß√£o.
Todavia, criou-se a compreensão de que tais cargos podem ser ocupados por pessoa de qualquer formação,
entregando-se assim a gestão a leigos despreparados com os resultados por todos nós conhecidos, quais sejam, o
desperd√≠cio e a inefici√™ncia com as conseq√ľ√™ncias sentidas por todos n√≥s mas principalmente por aqueles a quem o
estado tem a obrigação de não falhar, os despossuídos.
Os Conselhos Federal e Regionais de Administra√ß√£o t√™m lutado com afinco no sentido de que os poderes p√ļblicos,
inclusive o judici√°rio, compreendam a necessidade e a import√Ęncia de deixarem os Administradores profissionais assumirem
a gestão mediante assunção dos cargos que para seu desempenho imprescindível a formação técnico-científica
em Administração. Lamentavelmente nossas propostas não têm sido bem recebidas, talvez numa compreensão
equivocada de que possuem cunho corporativistas. Mais do que a defesa de um campo profissional defendemos na
verdade o direito de a sociedade ter profissionais capacitados na ocupa√ß√£o e desempenho de fun√ß√Ķes que para tanto
necessária uma formação acadêmica adequada.

Aqui por óbvio falamos de Administração, mas estendemos, por princípio, que o mesmo raciocínio seja válido para
outras profiss√Ķes. O Brasil adotou o princ√≠pio da profiss√£o regulamentada, garantindo que os servi√ßos especializados
e que impliquem em conhecimentos também especializados sejam prestados por pessoas com a qualificação exigida.
√Č assim para a medicina, contabilidade, economia, engenharia e por ai vai. S√£o ao todo trinta profiss√Ķes com seus
respectivos órgãos de controle, nelas incluídas a Administração.
Os efeitos do exerc√≠cio dessas profiss√Ķes por pessoa n√£o qualificada podem ser sentidos dos mais diversos modos
diferentes. Alguns diretamente na sa√ļde das pessoas, outros na sa√ļde econ√īmica e financeira, sendo que esses √ļltimos
os efeitos muitas vezes podem ser escamoteados, maquiados, mas sempre vêm à tona mediante a ineficiência
e a má qualidade dos serviços, falências, fechamento de filais ou mesmo de toda a empresa, causando sempre muito
sofrimento √†s popula√ß√Ķes.
No setor privado o reconhecimento da necessidade de profissionalização da gestão também ainda não recebeu a
merecida atenção, e os reflexos são desastrosos. Temos os mais altos índices de mortandade de empresas. Segundo
dados do SEBRAE, cerca de 59% das empresas abertas no Brasil fecham as portas antes de completarem cinco anos
de vida. Segundo os proprietários das empresas extintas, a ausência de gerenciamento profissional é o principal fator
para o fechamento prematuro do negócio, superando a falta de capital de giro.
Mas isso não é privilégio das empresas que são escopo do SEBRAE. As grandes empresas também passam por
problemas sérios relacionados à sua gestão, no todo ou de modo departamental. Exemplos pululam na mídia. Grandes
conglomerados vêm à bancarrota, entre outros motivos é claro, por adoção de gestão equivocada provocada por falta
de prestígio aos Administradores profissionais, inclusive levando a sociedade à uma compreensão também equivocada
do Administrador ao, inapropriadamente, nomear os integrantes de seus Conselhos Consultivos ou Conselhos de Administração
de ‚ÄúAdministradores‚ÄĚ, quando na verdade os assim denominados n√£o s√£o Administradores propriamente
ditos, estes compreendidos como aqueles com a habilitação legal.
O uso indiscriminado da express√£o ‚ÄúAdministrador‚ÄĚ tem causado imensur√°vel preju√≠zo a imagem do Administrador
profissional face a confus√£o estabelecida quando se nomeia de ‚ÄúAdministrador‚ÄĚ aquele que embora n√£o possua a
formação e habilitação de alguma forma encontra-se à frente de um processo organizacional.
Tanto para a iniciativa privada como para o setor p√ļblico vale o princ√≠pio de que n√£o h√° cargo sem fun√ß√£o e que
a função, em qualquer cargo, é atribuição que seu titular deve executar, provido na forma estabelecida em lei, o que
significa ser legalmente habilitado para exercer a atribuição do cargo. Mais do que eficiente e capaz, o gestor é um
profissional acostumado às mudanças e sabe o que é necessário para adaptar-se a elas, eis que talhado para tanto
mediante formação adequada.
Somente após o reconhecimento definitivo de que Administração é para Administradores é que talvez venhamos ter
um pa√≠s cujas pol√≠ticas p√ļblicas realmente atendam, de forma eficiente e eficaz, o nosso povo. Um pa√≠s que alcance o
desenvolvimento por todos n√≥s esperado, levado ao topo das maiores e mais importantes na√ß√Ķes, principalmente com
um altíssimo índice de desenvolvimento humano em todos os seus aspectos.
Temos condi√ß√Ķes para dar nossas contribui√ß√Ķes, precisamos do reconhecimento.