ÔĽŅ SINDASUL - Sindicato dos Administradores de Mato Grosso do Sul

Estopim do esc√Ęndalo do mensal√£o, Correios viram feudo pol√≠tico do PT
29/10/201218:54:00
 
Uma das fontes do esc√Ęndalo do mensal√£o, o aparelhamento pol√≠tico na estatal Correios continua, sete anos depois. Ap√≥s passar pelas m√£os do PTB e do PMDB, desalojados do comando em meio a den√ļncias de corrup√ß√£o, a empresa virou feudo do PT, cujos l√≠deres indicaram nomes para os principais cargos de dire√ß√£o.

Condenados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, o ex-ministro José Dirceu e o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) influenciaram a escolha dos dirigentes. O principal exemplo é o presidente da empresa, Wagner Pinheiro de Oliveira, que deve sua nomeação ao ex-ministro Luiz Gushiken, absolvido no julgamento em curso no Supremo, e teve ainda a sustentação do grupo liderado por Dirceu.

Sindicalista vinculado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e filiado ao PT, Pinheiro ocupa cargos por sugestão de caciques do partido há pelo menos 20 anos. A ligação com o ex-chefe da Casa Civil, segundo a assessoria do próprio ex-ministro, vem desde a década de 1980, quando o presidente dos Correios era funcionário da legenda na Assembleia Legislativa de São Paulo e Dirceu, deputado.

Nomeado no in√≠cio do governo Dilma Rousseff com a miss√£o de "sanear" a estatal ap√≥s o esc√Ęndalo de lobby e tr√°fico de influ√™ncia que derrubou a ex-ministra Erenice Guerra (Casa Civil), o presidente dos Correios recebeu elogios de Dirceu em seu blog. Em janeiro de 2011, o ex-ministro da Casa Civil se referiu a ele como exemplo de gestor p√ļblico "testado e aprovado".

Outro réu com influência na administração dos Correios é João Paulo Cunha. Graças a ele, o petista Wilson Abadio de Oliveira ascendeu à diretoria regional da estatal na Região Metropolitana de São Paulo, a mais rentável do País. A indicação causou uma crise na bancada do PT, no início de 2011, porque Cunha não consultou os colegas sobre a nomeação.

Ex-chefe dos Correios no Rio Grande do Sul, Larry Manoel Medeiros de Almeida assumiu a vice-presid√™ncia de Gest√£o de Pessoas gra√ßas √† indica√ß√£o da ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Maria do Ros√°rio (PT-RS). Ele j√° foi multado pelo TCU em R$ 1,5 mil por irregularidades em licita√ß√Ķes e na execu√ß√£o de despesas quando atuava na regional ga√ļcha. Almeida n√£o recorreu da condena√ß√£o, quitando o d√©bito.

O ministro das Comunica√ß√Ķes, Paulo Bernardo, escalou seu ex-auxiliar no Planejamento, Nelson Luiz Oliveira de Freitas, para a diretoria de administra√ß√£o. Na c√ļpula dos Correios os petistas encontraram espa√ßo para alojar tamb√©m, como assessor especial, Ernani de Souza Coelho, marido da ex-senadora F√°tima Cleide (PT-GO). Ele acumula ainda a presid√™ncia do conselho deliberativo da Postalis, o bilion√°rio fundo de pens√£o dos funcion√°rios.

O presidente dos Correios tem ainda outros auxiliares com carteirinha do PT. Seu chefe de gabinete, Adeilson Ribeiro Telles, é militante da legenda e, assim como o patrão, sindicalista com forte atuação na CUT. Na presidência da Postalis, Pinheiro colocou Antonio Carlos Conquista, seu ex-chefe de gabinete na Petros e filiado ao PT paulista.

Estatuto. O aparelhamento decorre tamb√©m de um rearranjo institucional, que deu margem a mais apadrinhamento em cargos-chave. Mudan√ßas feitas no Estatuto dos Correios, no ano passado, permitiram √† atual diretoria nomear funcion√°rios de outros √≥rg√£os p√ļblicos para fun√ß√Ķes t√©cnicas e gerenciais, antes exclusivas de servidores de carreira, cujas remunera√ß√Ķes variam de R$ 13,3 mil a R$ 18,7 mil.

Com isso, petistas de outros setores da administração puderam se abrigar na estatal. O Estado obteve a relação dos ocupantes desses cargos na administração central da empresa, em Brasília. Boa parte foi preenchida por militantes ou ex-militantes do PT.

Na chefia da Universidade dos Correios, Pinheiro alojou a professora Consuelo Aparecida Sielski Santos, filiada ao PT catarinense, cedida pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia.

Para assessorar Larry na vice-presid√™ncia de Gest√£o de Pessoas, escalou Alexandre Vidor, militante do partido no RS. Na Comunica√ß√£o Social, foi alocado Felipe de Angelis, tamb√©m do PT ga√ļcho. A vice-presid√™ncia de Administra√ß√£o abriga, como assessor, Idel Profeta Ribeiro, ligado √† legenda em S√£o Paulo.

Fonte: Correio do Estado