Entenda Este PIB de 1%. Não É Nada Disto. É Muito, Mas Muito Pior
18/01/201309:44:00
 
As manchetes dos jornais de hoje, anunciam com destaque um crescimento do PIB acima de 1%.

E os comentaristas reclamam que poderia ser bem melhor, mas nada mais do que isto.  

Para os que não entendem de Economia, somos levados a falsa conclusão de que estamos 1% mais ricos, 1% melhores do que no ano passado.

Ledo engano

O IBGE ainda usa um conceito antiquado de riqueza, que seria o que você produziu ou gastou no ano.

Se 9,3% do que você gastou foi graças a uma dívida nova, você não ficou 1% mais rico em 2012, e sim 8,3% mais pobre, porque agora você estará endividado.
E é o que o Governo Brasileiro fez. Gastou 9,3% do PIB que era seu, suas contribuições para o INSS, em vez de as deixarem rendendo juros até você se aposentar.

"Não tem problema", diz Guido Mantega, "pode ficar tranquilo que daqui 20 anos nós lhe pagaremos com as contribuições que serão feitas pelo seu filho".

Portanto, o Guido Mantega contraiu uma dívida a ser paga pelo seu filho, só que não a contabilizou, como nenhum ministro até hoje fez.

Esta dívida que da última vez que calculei era de R$ 13 trilhões, e em 2012 subiu mais R$ 300 bilhões, não é contabilizada pelo IBGE.

Mais uns 10% do que você gastou em 2012, foi graças à venda das joias que você recebeu de sua tia, que faleceu no ano passado.

Graças à esta venda, na realidade sua família ou o Brasil ficaram mais pobres, não mais ricos.

O minério extraído pela Vale e o petróleo extraído pela Petrobras equivalem a 10% do PIB, e são o equivalente às joias da sua tia.

Não são receitas, mas vendas da riqueza de uma tia ou um solo abençoado por Deus. E, que estamos dilapidando para o desespero dos nossos filhos, que estão ficando por isto mais pobres.

Some-se (1) as dívidas que contraímos de 9,3% não contabilizadas, mais (2) os 10% de depreciação de recursos naturais não contabilizados, e percebe-se que no Brasil 19,3% do nosso PIB é não recorrente e não fruto de nosso esforço.

Estamos vivendo 19% ou mais às custas dos outros, dos filhos e de Deus, e ninguém está noticiando.

Deveríamos estar produzindo mais do que consumimos, deixando reservas para nossos filhos e não dívidas. Deveríamos estar deixando pontes e infraestrutura para nossos filhos e não dilapidando a ecologia que Deus nos deu.

Deveríamos estar aumentando nosso Patrimônio Líquido Nacional e não dilapidando-o e deixando dívidas não contabilizadas para nossos filhos pagarem.

Use métricas equivocadas, e teremos políticas equivocadas

O problema não é o PIBinho, Dilma, o problema é que estamos vivendo às custas dos outros, e não da nossa própria produtividade.

O IBGE ainda usa o que os contadores chamam de Regime de Fluxo de Caixa em vez do Regime de Competência, que é o que se adota em todas as empresas brasileiras.

 

Fonte: Stephen Kantz - Artigos e Comentários