CFA: Mulheres superando as adversidades
05/03/201311:22:00
 
*Por Adm. Sebastião Luiz de Mello

Na próxima sexta-feira, 8, o mundo inteiro celebrará o Dia Internacional da Mulher. A data nasceu para lembrar o protesto contra as más condições de trabalho imposta a um grupo de operárias da indústria têxtil que resultou na morte da maioria delas em 1857. Muitos anos se passaram e as mulheres conquistaram espaço importante na sociedade. Contudo, ainda é marcante a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

Com a crise econômica internacional, essa disparidade ficou ainda mais acentuada, pois deixou 13 milhões de mulheres sem emprego como mostra o relatório Tendências Mundiais e Emprego das Mulheres 2012, divulgado em dezembro do ano passado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O estudo revelou que, de 2009 a 2012, a diferença entre taxa de desemprego entre homens e mulheres subiu para 0,7 ponto percentual em relação ao período anterior à crise. Ou seja, das cerca de 29 milhões de pessoas desempregadas no mundo, 6,4% são mulheres, contra 5,7% do sexo oposto.

As mulheres empregadas ainda enfrentam outro desafio – a diferença salarial. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho (MT), ainda há uma diferença grande entre os salários de admissão de homens e de mulheres. Enquanto eles ganham R$ 1.063,20, em média, as mulheres recebem R$ 917,03.

Entre os cargos da alta gestão essa dicotomia também é observada. Levantamento realizado pela Mercer e divulgado no final de 2012 revelou que, enquanto um homem no cargo de Chief Executive Officer (CEO) ganha um salário de R$ 64.776,00, uma mulher, exercendo a mesma função, tem um salário de R$ 45.653,00.

A questão de gênero ainda é um fator de disparidade no mercado de trabalho. Percebemos que as mulheres estudam mais – inclusive elas já são maioria no ensino superior -, mas muitas pesquisas revelam diferenças entre homens e mulheres. Sabemos que muitos empregadores ainda têm resistência para contratar mulheres. Mas, se elas estudam mais e estão mais capacitadas, por que não contratá-las?

Trabalho decente – Uma das ações que podem diminuir a disparidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho é a criação de políticas públicas voltadas à redução do preconceito de gênero das relações trabalhistas. Essa atitude é defendida e está entre os objetivos estratégicos da OIT. É preciso, cada vez mais, que Governo e iniciativa privada assumam o compromisso de elaborarem ações e estratégias pensadas no trabalho decente. São iniciativas que possam, de fato, combater a pobreza e o assédio nas relações trabalhistas, promovendo a ética e os valores no ambiente de trabalho.

Apesar dos dados apontarem que as mulheres ainda estão em desvantagem no mercado de trabalho em relação aos homens, acredito que já houve um avanço considerável. Maior exemplo disso é termos uma mulher como presidente do Brasil. Sim, a participação das mulheres na vida política ainda é pequena, mas é perceptível que a eleição de Dilma Rousseff quebrou paradigmas e abriu novas possibilidades ao público feminino, lembro, ainda, que a pesquisa da Great Place to Work mostrou que 36% dos cargos de liderança nas 100 melhores empresas para trabalhar do país são ocupados por mulheres.

Facilidade de relacionamento interpessoal, intuição, sensibilidade com assertividade e criatividade são algumas das características femininas que ajudam as mulheres a conquistarem espaços importantes dentro das empresas. Elas buscam criar harmonia em sua equipe, incentivando a participação de seus colaboradores. Elas possuem, ainda, um repertório de estilos de liderança diversificado, marcado por estilos de controle e resultados e, também, por estilos de relacionamento.

 

* Adm. Sebastião Luiz de Mello
Presidente do CFA