Sindasul representa todos os Administradores da ECT em negociação da PLR
04/05/201312:03:00
 

Foto: Presidente do Sindasul na mesa de negociação.

Os Administradores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) agora têm representatividade nas negociações da Participação de Lucros e Resultados (PLR). Por meio da justiça, o Sindasul assegurou essa conquista e tornou-se precursor - entre os sindicatos da categoria - a participar das negociações, inclusive já participou da audiência de intermediação do Ministério Público do Trabalho, que aconteceu no dia 30 de abril, em Brasília. ““Obtivemos a palavra, nosso sentimento é que fomos respeitada e auscultada tanto pelos trabalhadores, quanto pelo Douto Procurador”, enfatiza a presidente do Sindasul, Eliane Toniasso.

A negociação, intermediada pelo procurador do Trabalho Drº Ricardo José Macedo de Brito Pereira, foi marcada por impasse, os representantes da empresa relutam em atender a reivindicação da categoria por uma PLR linear em sem a aplicação do CGR, (Gerenciamento de Competências e Resultados). Em contrapartida, os representantes laborais (sindicatos e Fentect), também foram enfáticos e reafirmaram que os trabalhadores querem uma PLR justa.

A proposta dos Correios para a PLR prevê que 10% do valor montante seja destinado a “parcela estratégica de trabalhadores” e que seja aplicado o GCR amplamente. Na audiência, a presidente do Sindasul relatou que a categoria em sua maioria quer uma PLR linear e destacou que é inviável a implantação imediata de ferramenta CGR - uma avaliação subjetiva realizada por gestores despreparados. “A ferramenta não pode preceder o trabalhador”, há que corrigi-la com a criação do grupo paritário, proposta já em 2011, e depois de amplamente debatida e a força de trabalho treinada, assim como os gestores é que poderá ser aplicada para PLR 2013 a ser paga em 2014, defendeu.

Sobre a parcela estratégica que receberia os 10 ou 8% do montante, a presidente do sindicato questiona: “Queremos saber quem está inserido na parcela e o que fazem de tão especial para serem contemplados. Por que merecem ganhar mais que os outros empregados? Quantos irão receber? Qual valor a ser pago? Teoricamente, os administradores deveriam estar nessa lista. De acordo com a Lei de Acesso à informação N. 12.527, de 18/11/2011 temos o direito de saber quem seriam esses diferenciados. Por isso, o Sindasul solicitará que na próxima audiência a empresa esteja munida desses dados”.

“A Empresa obteve um ganho líquido de 1,044 bilhão de reais em 2012, ganha lucros exorbitantes fruto do empenho e trabalho dos seus empregados, nada mais justo de dividir esse lucro de forma igualitária entre o quadro de profissionais.

Proposta MPT

Como não houve concordância entre as partes, o Ministério Público do Trabalho propôs que seja aplicado o acordo PLR 2011 no ano de 2012 e seja criada comissão partidária para a discussão dos critérios que prevalecerão na determinação da PLR de 2013. Os trabalhadores analisam a proposta. No dia 07 de maio, acontecerá a terceira audiência mediada pelo MPT. Veja o vídeo do pronunciamento do procurador do Trabalho  http://www.youtube.com/watch?v=irgz4rLzV3g&feature=youtu.be

Acredito que a empresa deve aderir a proposta apresentada pelo Douto procurador do trabalho. Esperamos que a ECT aproveite essa oportunidade e que na próxima audiência envie representantes que de fato possam negociar e tomar decisões pela empresa”, analisa a presidente.

GCR

Os sindicalistas rebatem os argumentos da ECT para a criação de critérios. Segundo a empresa, a aplicação da CGR seria “interpretação sistemática da lei 10.101/2000”, que disciplina a participação dos empregados nos lucros e resultados das empresas. No entanto, os empregados a acusam de distorcer a lei.

A Lei nº 10.101 de 19/12/00, em seu art. 2º estabelece que é necessário haver o comum acordo entre empresa e empregados para escolher o procedimento de negociação. Além disso, prevê a criação de uma comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria.

“Desde de 2011, a empresa já sabia da necessidade de criar esse grupo paritário em âmbito nacional com representantes legítimos da categoria. No entanto passaram-se os anos e em 2013 o discurso da empresa é a de dizer que tem orientação de uma auditoria interna –criada por pela própria ECT – que estabelece que deve-se utilizar os critérios por ela determinada. Isso é uma afronta a força do trabalho”, denuncia Eliane Toniasso.

Indicadores

A Clausula 16º da PLR de 2011 apresenta os Indicadores de Resultados – Atingimento da média da meta da ECT nos seguintes indicadores (em relação à meta dos resultados globais da empresa): DGV (desempenho geral de vendas); CRGT (cartas registradas tratadas); SXTR (sedex tratados); OSIT (objetos simples tratados); OQEE (objetos qualificados entregues pelo CEE).

“Como se verifica acima, os profissionais administradores não estão incluídos nos indicadores. Por isso, a participação do Sindasul nas negociações é importante para que nossa categoria – e os demais profissionais diferenciados – não sejam prejudicados. Além disso, os requisitos citados acima comprovam de que o GCR deveria ser realizado de modo objetivo, no entanto, pelo despreparo de alguns gestores, fazem metas subjetivas e não aplicam o programa adequadamente, assim sendo, não há como o GCR servir como parâmetro”, explica Eliane Toniasso.

Expectativa

O nosso principal objetivo é conquistar uma PLR justa. Esperamos que na próxima audiência, seja criada a Comissão Paritária, para que em abril de 2014 não repitamos a mesma discussão e que a empresa apresente critérios claros e definidos – o que não ocorreu neste ano. Além disso, esperamos que a ECT apresente uma postura de flexibilidade ao diálogo com os representantes dos trabalhadores.

Assembleias

O Sindasul convocou os Administradores para repassar as informações sobre a negociação, no dia 03 de maio, no prédio da Diretoria Regional da ECT-MS, centro de Campo Grande. Mas por conduta com característica antissindical o diretor regional da empresa, João Edilson, não

cedeu sala para os empregados, assim, os administradores se reuniram no entorno do prédio e analisaram a negociação da PLR apresentada pela presidente do sindicato, finalizada contato secreto com os profissionais para que esses não venham a sofrer retaliações, a exemplo dessa sindicalista.

“Recebemos várias manifestações de apoio por parte dos administradores do nosso Estado. Todos com expectativas positivas sobre a inserção do sindicato na negociação da PLR”, destaca Eliane Toniasso.

Fonte: Sindasul