ÔĽŅ SINDASUL - Sindicato dos Administradores de Mato Grosso do Sul

Brasil, mostra a tua cara!
24/09/201311:02:00
 
Adm. Sebasti√£o Luiz de Mello
Presidente do Conselho Federal de Administração (CFA)
 
 
Nos √ļltimos meses o pa√≠s viveu sob in√ļmeras manifesta√ß√Ķes sociais. De norte ao sul do Brasil a popula√ß√£o, indignada com os desmandos pol√≠ticos, foi √†s ruas cobrar direitos e exigir uma postura mais √©tica e coerente dos governantes e parlamentares. Alguns desses acontecimentos resultaram em depreda√ß√Ķes do patrim√īnio p√ļblico e privado, dividindo a opini√£o p√ļblica.
 
Parte da sociedade √© favor√°vel √†s manifesta√ß√Ķes, j√° que se trata de um movimento leg√≠timo pr√≥prio da democracia; mas condenam a viol√™ncia e o quebra-quebra incitado pelos grupos mascarados. E h√° quem acredite que as depreda√ß√Ķes podem mudar o pa√≠s.
 
Pelo bem ou pelo mal, esses acontecimentos motivaram a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a aprovar a lei que pro√≠be o uso de m√°scaras em manifesta√ß√Ķes. Em Bras√≠lia-DF, no √ļltimo 7 de setembro, a pol√≠cia militar local recebeu a ordem para abordar qualquer manifestante mascarado. Ainda sim, houve um intenso confronto que resultou em pris√Ķes e gerou preju√≠zo para quem teve o patrim√īnio depredado pelos manifestantes.
 
Enquanto isso, no Congresso Nacional discute-se pelo fim ou n√£o do voto secreto. Ora, que pa√≠s √© esse que pro√≠be a manifesta√ß√£o de pessoas mascaradas e, ao mesmo tempo, permite que seus parlamentares decidam, em segredo, a cassa√ß√£o de mandatos, a an√°lise de vetos presidenciais, a indica√ß√£o de autoridades, entre outras decis√Ķes do Legislativo?
 
Sim, o √Ęmbito pol√≠tico √© carregado de press√£o e jogo estrat√©gico, n√£o temos d√ļvidas. Contudo, isso n√£o pode ser usado para justificar a ado√ß√£o do voto secreto. Afinal, um dos princ√≠pios que regem a administra√ß√£o p√ļblica √© a publicidade. Por isso, √© dever do Estado ancorar suas atitudes nesse pilar constitucional cujo objetivo √© dar perspicuidade √† vida p√ļblica.
 
O fim do voto secreto √© uma forma do parlamentar prestar conta n√£o s√≥ com a sociedade, mas com o cidad√£o que o ajudou a eleger. E o eleitor quer ter feedback. Mas, quem n√£o tem coragem de assumir sua postura e as consequ√™ncias de suas decis√Ķes n√£o tem compet√™ncia para representar o cidad√£o. Muito menos de exigir que os manifestantes deixem de usar m√°scaras nas ruas.
 
Na d√©cada de 1980, o saudoso poeta Cazuza j√° falava das mazelas do pa√≠s e clamava em uma de suas m√ļsicas: "Brasil, mostra a tua cara". √Č triste constatar que o pa√≠s apresentado pelo cantor n√£o est√° diferente do Brasil atual. Por√©m, o fim do voto secreto pode trazer paz √† democracia brasileira. Essa atitude fortalecer√° a imagem do nosso pa√≠s e, o povo, enfim, poder√° voltar √†s ruas, mas desta vez n√£o para protestar e, sim, comemorar essa grande conquista.