Mulheres ainda ganham menos que homens no Estado
29/05/201517:00:00
 

A mulher sul-mato-grossense precisaria trabalhar 3,2 horas a mais, por dia, para receber o mesmo salário médio pago ao homem no fim do mês. Essa disparidade decorre de uma vantagem salarial masculina de 40,51%: eles têm rendimento médio real de R$ 1.976,15, e elas, de R$ 1.406,40, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa situação ocorre, em maior ou menor intensidade, em todo o Brasil e no restante do mundo, como observa a administradora de empresas Eliane Toniasso, coordenadora estadual de um projeto realizado em 22 países, que visa equiparação entre salários de homens e mulheres. 

“Estamos com esse sonho”, afirmou Eliane, referindo-se ao projeto Trabalho Igual, Salário Igual, uma iniciativa da BPW Internacional, organização não governamental (ONG) que tem como missão colaborar para a maior e melhor inserção da mulher no mercado de trabalho, na política e nos demais espaços. Em nível estadual, o projeto será lançado amanhã, na sede da Organização dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS), na Capital. 

Na avaliação da administradora, a diferença entre salários de homens e mulheres se relaciona ao enraizamento de uma cultura machista. “O machismo está arraigado nas pessoas. Por isso, é preciso começar pela educação dos jovens”, acredita. Ela acrescenta que, neste contexto de favorecimento do homem, são destinadas às mulheres as tarefas de cuidar da casa, dos filhos, dos idosos. Esses papéis, somados à possibilidade de ocorrência da gravidez, fazem com que as mulheres sejam preteridas nas escolhas para cargos de chefia, conforme observa Eliane. 

A desigualdade, comentada pela administradora, é mensurada por números do IBGE. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada na semana passada, pelo IBGE, o rendimento médio do trabalhador sul-mato-grossense era de R$ 1.736,15 no fechamento do primeiro trimestre. Na época, a remuneração masculina estava em  R$ 1.976,15, e a feminina, em R$ 1.406,40. A diferença, de 40,51%, significa, na prática, que as horas de trabalho do homem são muito mais bem remuneradas: em uma jornada de oito horas, ele recebe perto de R$ 100 em média, por dia (mais precisamente, R$ 98,8), e ela, com o mesmo intervalo, ganha R$ 70. A mulher teria de aumentar de oito para onze horas diárias de trabalho, para ter o mesmo ganho do homem. 

A diferença salarial em Mato Grosso do Sul supera a média nacional, que também é considerável. No País, o rendimento médio do homem é de R$ 2.045,54, 31,3% acima do da mulher (R$ 1.557,54). 

A “boa notícia” (ou notícia menos ruim) é que a distância entre os ganhos já foi maior. No primeiro trimestre de 2014, o salário deles (R$ 2.065,66) era 35% superior ao das mulheres (R$ 1.529,71). Em Mato Grosso do Sul, a diferença também reduziu – nos três primeiros meses do ano passado, era de 47% (homens, com R$ 1.997,80, e as mulheres, com R$ 1.357,54). 

PROJETO

Essa desigualdade pode ser ainda menor, em razão de iniciativas como a do projeto Trabalho Igual, Salário Igual. Segundo Eliane Toniasso, as ações serão concentradas em maio, o que deverá ocorrer no mesmo mês dos próximos anos. Os objetivos do projeto, conforme elencados por Eliane, são os seguintes: combater a diferença de salários e o agravamento da desigualdade de remuneração entre mulheres e homens; impedir a diminuição do salário das trabalhadoras; exigir que mulheres mais bem qualificadas possam assumir postos de comando; e impedir que as mulheres sejam submetidas a estereótipos de gênero, ainda predominantes no mercado de trabalho.

O lançamento do projeto será às 9h de amanhã, na sede da OAB-MS (Avenida Mato Grosso, 4.700). Também, está marcada para o dia 29 de maio uma audiência pública na Assembleia Legislativa, que ocorrerá após uma marcha até o local. Além dessas ações, haverá mobilizações diversas, por meio das redes sociais e de outros canais. 

PARA ALÇAR VOO

A busca da igualdade (entre as quais, a salarial) de gêneros não beneficia apenas as mulheres, conforme analisa Eliane. “Toda a humanidade é beneficiada”, afirma. Na defesa dessa ideia, ela usa uma metáfora: a da ave. 

“Nós podemos comparar a humanidade com uma ave. As asas representam a mulher e o homem. Se uma das asas está prejudicada, a ave não sai do chão. Para alçar voo, a ave precisa estar com as duas asas igualmente fortes”, finaliza.