Mulheres defendem igualdade de direitos durante audiência na Assembleia
01/06/201515:49:00
 
Trabalho Igual, Salário Igual, a equiparação de direitos não só no mercado de trabalho, mas em todos os setores de atuação.


Mulheres de vários segmentos da sociedade defenderam nesta sexta-feira (29), durante a audiência pública “Trabalho Igual, Salário Igual”, a equiparação de direitos não só no mercado de trabalho, mas em todos os setores de atuação. 

As participantes chegaram à Assembleia Legislativa depois de uma caminhada, que partiu da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) com o objetivo de alertar a sociedade sobre a importância dessa temática.

Os debates foram comandados pela deputada estadual Mara Caseiro (PTdoB), em parceria com integrantes da BPW Campo Grande (Associação das Mulheres de Negócios e Profissionais) e o pedetista Felipe Orro.

Durante a audiência, a educação foi destacada como uma das principais ferramentas para o combate ao machismo, grande responsável pela desigualdade de remuneração entre homens e mulheres não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Em seu discurso, Mara Caseiro destacou que o estudo é requisito fundamental para o empoderamento das mulheres em todas as esferas da sociedade. Sem educação de qualidade, elas não conseguem acesso a empregos bem pagos do setor formal, nem avanços na carreira, participação e representação no governo e influência política.

Entretanto, destacou que só isso não tem sido suficiente. “Os homens ainda ganham mais que as mulheres em quase todas as profissões, mesmo com a mesma preparação acadêmica e experiência profissional comprovada”, lamentou.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, apontam que, de 40 ocupações em que foi possível comparar salários para uma jornada de 40 horas semanais em 2013, em apenas duas as mulheres recebem, em média, mais do que os homens. A diferença, mesmo assim, é pequena.

É o caso de produtores agrícolas, profissão em que mulheres são apenas 13% do total, e instrutores e professores de escolas livres, categoria que inclui professores de cursos diversos.

A diferença a favor dos homens acontece tanto em carreiras de nível universitário (caso de médicos, advogados e professores do ensino superior), quanto naquelas em que a presença feminina é majoritária (costureiras, auxiliares de enfermagem ou recepcionistas).

Estatísticas de gênero divulgadas pelo IBGE em outubro de 2014 apontam que as mulheres estudam mais, mas possuem formação em áreas que auferem menores rendimentos; estão mais presentes no mercado de trabalho, mas continuam ganhando menos e caminham mais lentamente rumo à formalização.

Para o superintendente regional do Trabalho e Emprego, Yves Drosghic, essa é uma questão cultural, que perpassa pela própria educação das meninas, que muitas vezes são ensinadas para se posicionar como o segundo sexo.

A presidente da Comissão dos Advogados Trabalhistas da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil), Mara Azambuja Salles, pediu que a bancada federal de Mato Grosso do Sul, com o apoio dos deputados estaduais, façam lobby, em Brasília, para desengavetar o Projeto de Lei 6.653/2009, de autoria da deputada Alice Portugal, que trata sobre a igualdade e oportunidades para as mulheres no mercado de trabalho.

O deputado Felipe Orro comemorou esse tipo de debate ter surgido na capital de Mato Grosso do Sul, um estado de raízes rurais, considerado machista.

A presidente da BPW Campo Grande, Rejane Velasco, aproveitou a audiência para lembrar das principais conquistas das mulheres na área da política e da economia, e convocar a todas para encampar esse projeto e defender a igualdade de salários no estado.

A coordenadora do projeto Trabalho Igual, Salário Igual, Eliane Toniasso, destacou a importância das mulheres participarem cada vez mais dos espaços sindicais. Para ela, essa é única forma de participar das decisões que as afetam no mercado de trabalho.

SELO - Durante a audiência pública, foi lançado um selo dos Correios personalizado para mobilizar a sociedade a respeito da igualdade de salários entre homens e mulheres.
Participaram ainda do evento a superintendente da Política de Direitos Humanos do governo, Ana Lúcia Américo, o procurador do Trabalho, Hiram Sebastião Meneghelli Filho, e a coordenadora do Curso de Direito da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), Elaine Kler.

Fonte: www.acritica.net