Administrador de empresas tem múltiplas perspectivas
28/09/201518:43:00
 

Grespan aplica o aprendizado na gestão da Men’s Market, da qual é sócio

No estágio atual do mercado, globalizado, multicultural e exigente, o administrador de empresas precisa ter, além do bom nível do conhecimento técnico inerente à área, inteligência emocional, espírito empreendedor e saber engajar equipes. Pelo menos é o que dizem líderes do mundo corporativo e profissionais da área de recursos humanos. Atualmente, existem cerca de 400 mil profissionais de administração de empresas no País, sendo que quase 70 mil estão em São Paulo.

Esse molde básico de competências permite que ele atue tanto na esfera pública quanto privada, quer seja no meio corporativo ou administrando o próprio negócio. É o caso de Leandro Flora Grespan, de 25 anos, graduado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Há três anos, Grespan gerencia a área de marketing digital do Men’s Market, site de produtos para homens do qual é sócio. “A escola oferece as bases do pensamento. Ensina a raciocinar, buscar saídas, aprender a funcionar, mas no dia a dia da operação é mais complexa.”

Para ele, ter passado pelas etapas de estagiário, trainee e de funcionário de uma empresa até o momento de empreender foi um processo de amadurecimento. “As aulas básicas de gestão e cultura organizacional são importantes para a operação, o dia a dia. Eu não sei o que vem pela frente, mas estou preparado”, diz o administrador.

Grespan foi estagiário, por um ano e meio, no setor de marketing da Microsoft e, em 2011, entrou no programa de trainee da Phillip Morris, onde ficou dois anos na área comercial (vendas e marketing). “Essa é uma boa característica da administração, que permite transitar por diversas áreas da empresa”, diz o jovem.

O presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), Sebastião Luiz de Mello, concorda. “A administração é uma profissão de múltiplas competências. Por essa razão, o mercado acaba sendo mais favorável a esses profissionais do que para outros, mesmo em épocas de crise”, afirma. “E se antes a formação visava a capacitar profissionais para atuar em grandes organizações, hoje também as micro e pequenas empresas, que são as maiores empregadoras do País, fazem parte do currículo.”

O curso prepara os estudantes para atuar nas áreas de recursos humanos, marketing, contabilidade, estratégia, além de empreendedorismo. “O programa é eclético e o profissional consegue se posicionar muito bem no mercado de trabalho”, reforça o coordenador do curso de administração de empresas do Ibmec-RJ, Carlos Bastian. Para ele, a vantagem do curso é essa possibilidade de conhecer diversas áreas de uma organização e estar preparado para a gestão de pessoas.

Aluno do sexto semestre do Ibmec-RJ, Wellington Vitorino, de 21 anos, sempre gostou da área de negócios. Quando era adolescente, trabalhava na padaria do pai durante as férias escolares. E, talvez por isso, diz que nunca teve dúvida de que queria uma carreira voltada para negócios. Daí a cursar administração foi um passo.

“Pretendo atuar em grandes empresas, conhecer o funcionamento e os processos de gestão de uma corporação, mas o meu objetivo é um cargo executivo público. Porém, quero primeiro ter experiência de mercado, estudar fora e conquistar independência financeira”, diz.

De acordo com o coordenador do curso de graduação em administração da FGV-EAESP, Nelson Lerner Barth, a faculdade procura compor turmas heterogêneas e incentivar os intercâmbios, porque “é indispensável ter formação em outras culturas”.

O programa da instituição oferece aulas de logística, finanças, marketing, sustentabilidade, gestão internacional, mas também de humanidades como psicologia, filosofia e gestão de pessoas. Outro destaque é o empreendedorismo, que “cresce muito rápido” e ganhou novas disciplinas na grade.

Veja quais são as áreas mais procuradas

De acordo com a Lei 4.769, de 1.965, a administração de empresas será exercida, como profissão liberal ou não, mediante: pareceres, relatórios, planos, projetos, arbitragens, laudos, assessoria em geral, chefia intermediária, direção superior, pesquisas, estudos, análise, interpretação, planejamento, implantação, coordenação e controle dos trabalhos nos campos da administração, que engloba a administração propriamente dita e seleção de pessoal, organização e métodos, orçamentos, administração de material, administração financeira, administração mercadológica, administração de produção, relações industriais, bem como outros campos em que esses se desdobrem ou aos quais sejam conexos.

“Segundo a pesquisa que o Conselho Federal de Administração (CFA) realizou em 2011, as grandes áreas funcionais da carreira como administração geral, financeira, vendas e recursos humanos atingiram 58,82% dos 17.982 respondentes, sendo possível afirmar que são as áreas mais demandadas da carreira de administrador de empresas”, diz o presidente do CFA, Sebastião Luiz de Mello.

 Líder precisa ter habilidade para lidar com pessoas

Ainda de acordo com a pesquisa, a administração geral em 2011 manteve alto o índice de alocação de administradores, embora o seu porcentual tenha sido reduzido considerando a pesquisa de 2006.
De acordo com o presidente do CFA, é interessante verificar que a área de recursos humanos, que vinha apresentando decréscimo ano após ano, apresentou uma recuperação na última pesquisa (realizada em 2011) em relação a anterior, feita no ano de 2006, passando de 6,73% para 9,46%.

Fonte: O Estadão

Data:27/09/2015