No Caminho Há cinco Pedras
22/05/201209:52:00
 

Entregar currículos e currículos e ter “não” como resposta é uma realidade ainda enfrentada por muitos trabalhadores, mesmo com as ofertas crescentes de emprego. A pedido do Correio do Estado, o diretor-presidente da Fundação Social do Trabalho (Funsat), Naur Teodoro Pontes, listou as cinco maiores barreiras entre o desempregado e o mercado de trabalho com base nos atendimentos feitos pelo órgão. Segundo ele, esses obstáculos são: falta de qualificação, baixa escolaridade, desencontro entre as condições da empresa e as pretensões do trabalhador, idade e o mercado informal. O diretor salienta que todas essas barreiras são transponíveis.

“Sem dúvida o principal fator do desemprego é a qualificação”, afirma ele. Isso não significa que a continuidade na situação de desempregado seja de responsabilidade exclusiva do trabalhador. É o mercado que está mais exigente e, por conseguinte, as pessoas menos qualificadas, estão sendo deixadas de fora. No entanto é possível, mesmo com menor base de preparo, realizar capacitações e buscar novas áreas. “Há, por exemplo, muitas empregadas domésticas fazendo cursos em costura para mudar de área”, exemplifica o diretor. O efeito colateral, neste caso, é a falta de trabalhadoras domésticas no mercado, conforme acrescenta pontes.

A lacuna de qualificação tem sido enfrentada por entidades diversas ligadas à indústria e ao comércio, que oferecem cursos voltados a setores com os maiores déficits, como confecção e construção civil. A própria Funsat oferece capacitações.

Mas avançar na qualificação não é o único remédio para exorcizar o fantasma do desemprego. Somadas (ou paralelas) ao problema da falta de mão de obra capacitada, há outras barreiras. Uma delas,de mpdp específico, relaciona-se à questão socioeducacional: a baixa escolaridade. Pontes observa que, atualmente, é exigido mais tempo de estudo para o exercício de muitas atividades que, até pouco tempo, dispensavam esse critério. “Muitas vagas que ofertamos exigem, no mínimo, o ensino médio, afirma.

Qualificação e escolaridade, enriquecem o currículo. Mas, de modo paradoxal, o trabalhador muito capacitado que perde o emprego também sente dificuldade para voltar ao mercado de trabalho. “Mato Grosso do Sul ainda está em processo de crescimento e o número de grandes empresas ainda não é tão alto”, nota Pontes.São essas as empresas que contratam trabalhadores com currículo excelente. “Esses profissionais são buscados por empresas caçadoras de talento”, acrescenta.

INTERESSES DIVERSOS

Não só a empresa, mas também o trabalhador está mais exigente. Essa situação, conforme o diretor da Funsat, alarga o choque de interesses entre o empregador e candidato a uma vaga de trabalho.”Muitas pessoas dispensam o emprego porque acham o salário muito baixo ou porque não querem trabalhar aos sábados”, exemplifica.

Pontes defende que o mercado brasileiro tem mudado e trabalhar em fins de semana é cada vez mais comum. “As pessoas precisam entender isso. Em muitos lugares, trabalha-se em sábado ou feriado e folga em outro momento”, argumenta.

IDADE

Se o trabalhador precisa se adequar aos novos tempos, muitos empregadores também devem fazer o mesmo. O fato idade, por exemplo, ainda continua sendo visto por muitos empresários como empecilhos para contratação. “Os empresários, de modo geral, ainda resistem em contratar pessoas com mais idade”, diz Pontes. No entanto, há iniciativas pontuais de algumas corporações, que têm resgatado para seus quadros de funcionários os cinqüentões” e os “sessentões”, valorizando as experiências desses profissionais.

Para o diretor da Funsat, a qualificação pode ser a saída também para os trabalhadores mais velhos que estão desempregados.

“As pessoas com mais idade deve avaliar a situação da área na qual tem experiência. E, se for o caso, deve buscar se capacitar em outras atividades. Assim, tem mais chances de voltar ao mercado de trabalho”, orienta.

INFORMALIDADE

As atividades informais, que, muitas vezes, proporcionam rendimentos maiores, trambém são barreiras para o ingresso ou retorno ao mercado de trabalho formal. Muitos trabalhadores avaliam os salários das empresas e terminam preferindo continuar autônomos.

Pontes lembra, no entanto, que a informalidade não oferece a segurança do mercado formal. “A pessoa não pode pensar só no presente e se esquecer do futuro”, finaliza.

Fonte: Correio do Estado por Osvaldo Júnior